Nem o nome dele eu sei, mas posso descrevê-lo. Ele era gordo (daí o apelido Gordão), usava cabelo arrepiado com sabonete, um verdadeiro Muleque Piranha e, talvez, por isso minha antipatia por ele.
A surpresa se deu hoje, logo que chegamosà escola. Muitos alunos chorando na porta da escola. Eu não entendi nada, mas depois minha amiga Pamella chegou com a notícia.
Como toda morte, surgiram os boatos mais absurdos, disseram até que o garoto havia morrido de meningite [?]
Por que a morte sempre mexe tanto conosco?
Alguns fatos irônicos:
- Hoje eu ia sacrificar meu horário de almoço pra ir ao cemitério com meus miguxos [porque shopping ja enjoou]
- Nessa mesma semana eu fiz um comentário, algo como "Dells, a panturrilha desse garoto é do tamanho da minha coxa!"
O que me deixa mais triste nessa história é que ele não teve a oportunidade de mudar. No meu conceito, esses garotos fazem parte da escória da adolescência [que se prolonga, muitas vezes], mas ele nem teve a chance de conhecer outros estilos de vida, outros tipos de pessoas.
Os pais, os amigos, e as pessoas que ficam?
O professor Carlos [o mais gätz ♥] falou com a minha sala. Falou as coisas mais clichês, mas que sempre fazem tanto sentido. E a Momi lembrou da amiga que tinha morrido ano passado, eu lembrei do meu amigo que morreu de câncer na faixa dos 20, anos passado. E pensamos nos amigos vivos, o amor que sentimos por cada um deles.
"Vânia, desculpa, não temmais clima pra ir ao cemitério hoje"
xoxo
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