
Não sei se vou conseguir redigir esse post direito, já que não consigo nem enxergar o monitor direito nem me concentrar. Acontece que o que eu posso considerar fruto do meu ventre se foi e eu não pude nem dizer adeus.
Dizem que os gatos não tem sentimentos, que são frios, só amam a casa. A gente só percebe que isso é mentira quando sente que aquela coisinha tão pequena te olha com ternura, te segue, pede carinho, percebe quando você tá triste.
Meu menino, o Kuro, tinha só 5 meses e eu sei que se a estadia dele tivesse sido maior eu sofreria muito mais do que tô sofrendo agora, mas eu queria tanto ter curtido mais ele, ter abraçado mais, mimado mais.
Eis o que aconteceu: de um mês pra cá ele não tava bem, eu descobri que ele tava babando sangue e, claro, eu fiquei muito preocupada. Depois de um tempo o levamos ao veterinário e a VADIA cobrou 90 reais, deu alguma coisa pro Kuro e mandou ele pra casa. Isso faz pouco mais de uma semana.
No fundo, eu sabia que meu bebê ia morrer. Ele olhava pra mim como se estivesse pedindo socorro.
Onde eu ia, ele ia atrás, como se fosse me guardião, sempre sentado à minha frente, com toda aquela pose de leãozinho que eu tanto amo. Ontem, antes de ir pra escola, ele não mudou, me seguia do mesmo jeito, ficou comigo enquanto eu comia, arrumava o cabelo, escovava os dentes. Ficou comigo desde a hora que eu acordei. Quando eu saí, ele foi comigo até o portão. Não sei, parece que algo em mim sabia que algo iria acontecer. Então eu o peguei no colo, dei um beijo nele e disse "Fica com Deus, filhote". Ele olhou pra mim e, quando eu o coloquei no chão, ele ainda me seguiu alguns passos pela rua, depois parou e ficou me olhando, sentado, como um leãozinho.
Minha mãe me escondeu isso desde ontem. Não a culpo, ela sabia que eu já taa preocupada com o estado de saúde dela (que não tá muito bom) e perder o Kuro seria um golpe muito doloroso pra mim.
Acontece que agora eu não sei o que faço, não consigo parar de chorar e, enquanto redijo esse post, tenho sucessivas crises de soluços e tô digitando sem ao menos olhar o que escrevo (espero que não haja muitos erros de digitação) e minha mãe já me interrompeu algumas vezes pra falar que é bobagem eu chorar tanto.
Mas ela não entende o que eu sentia por ele. Nunca ninguém vai entender que eu cuidei dele com tanto carinho.
De qualquer jeito, meu menino foi um presente de Deus. Sim, Deus o mandou na hora mais difícil, quando eu mais precisava de um parceiro, um companheirinho. Mamãe vai sentir sua falta
Minha criança, meu amor, meu filho.