Boneco de Porcelana
Eu cuidei dele como um bibelô. Como uma mãe, que vê seus filhos tomando decisões e crescendo pra si e pro resto do mundo.
Até que, um dia, ele tomou uma decisão. E, a partir daí, de moço de carne e osso, ele passou a ser de porcelana. Frágil, com uma beleza distante. Eu não podia tocá-lo.

A cada movimento meu há o risco da porcelana se quebrar. E toda a beleza, pintada com muito custo, lágrimas e esperanças, se espatifar, como vidro.
O boneco sente frio. Eu quero aquecê-lo, mas não posso. Temo até abraçá-lo forte demais. Lhe falta forças, ainda mais agora que o fio de esperança que restava foi queimado. Bem queimado, espero.


Eu pareço ter sido feita de vidro temperado. Insensível a tudo, talvez só a mais potente das forças universais pode me quebrar. E é justo essa força MEDONHA que transformou o meu menino, de vidro temperado, em boneco de porcelana. Frágil. Sensível. E belo.

Devo esperar o tempo fazer o que lhe é cabível: desgastar a tinta. Pra que uma linda boneca de pano o faça feliz. Ela será maleável, bela e sensível, mas não tanto quanto uma bonequinha de porcelana. E o transformará num boneco de pano, pra que não haja medo, nem a beleza mórbida dos bonecos de porcelana.

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